É comum que uma empresa eventualmente se veja na necessidade de obter um determinado valor monetário de forma mais rápida do que seu ritmo de lucratividade ou venda permite. Pode ser que essa necessidade tenha origem em algum momento de crise que a companhia esteja passando ou simplesmente do desejo de alavancar o negócio através de compra de tecnologia, automatização ou investimentos diversos.

De qualquer forma, o momento de decisão por um financiamento ou empréstimo chega para grande parte das organizações, mas antes de optar por um caminho é preciso que se conheça as diferenças de cada um, só assim será possível tomar uma medida mais acertada e adequada às necessidades do negócio dentro do cenário específico em que se encontra.

Embora os termos financiamento e empréstimo sejam utilizados diversas vezes como sinônimos, ambos representam coisas diferentes e tem suas próprias particularidades. Apesar de muitos acharem que significam a mesma coisa, na verdade, eles são duas maneiras divergentes de concessão de crédito, cada um com sua característica e especificidade, por isso é preciso ter cautela e conhecimento na hora de escolher qual o mais adequado para você ou para sua empresa. Vamos entender o que cada um significa

Empréstimo e suas características

O empréstimo é uma forma de concessão de crédito, porém com características diferentes do financiamento. Uma das principais características do empréstimo é que diz respeito a um crédito livre, ou seja, não é necessário dar explicações e justificativas para o uso do valor, pois não há restrições. O empréstimo não é vinculado a bens, o banco ou financeira faz uma análise de crédito do solicitante e concede o valor que acha adequado, sem solicitação de garantias. A única obrigação é pagar as parcelas conforme prazo e valor acordado em contrato. O empréstimo também costuma ter maior facilidade na solicitação e contratação. No entanto, por ser o contrato de pagamento de parcelas a única garantia pedida pelo banco ou financeira, é natural que os juros de um empréstimo tenham taxas mais altas que juros por financiamento.

Financiamento e suas características

O financiamento, assim como o empréstimo, trata de uma concessão de crédito. A diferença acontece na finalidade desse crédito concedido. Enquanto no empréstimo o crédito pode ser utilizado de qualquer maneira, sem precisar comprovação ou justificar seu uso, o financiamento está atrelado a uma finalidade especificada em contrato.

O valor obtido através do financiamento tem um destino definido desde sua solicitação e só poderá ser utilizado para esse propósito. Para realizar um financiamento o solicitante irá passar por uma análise de crédito, mas também será verificada sua justificativa para uso do dinheiro, também sendo avaliado o bem a qual o crédito estará associado. Geralmente financiamentos tratam de valores mais altos do que empréstimos, tendo assim mais burocracia para sua concessão.

Como o financiamento é mais seguro para o banco/financeira, pois o bem fica como garantia, é normal que as taxas de juros do financiamento sejam mais baixas que a do empréstimo, além de oferecer prazos maiores e melhores condições de pagamento. Esse processo é um pouco mais perigoso para o solicitante, pois caso tenha algum tipo de prejuízo ou imprevisto que o impeça de realizar os pagamentos das parcelas corretamente, o bem que está como garantia poderá ser confiscado, uma vez que só fica no seu nome após quitação do pagamento.

Qual é a melhor opção?

A principal diferença entre os dois meios de captar crédito é a liberação do crédito. Em um empréstimo, o dinheiro não precisa ter um fim justificado e o solicitante poderá fazer com ele o que achar melhor. Já no financiamento o crédito quase sempre irá diretamente para o vendedor do bem que se pretende adquirir, aquele que foi utilizado como justificativa para concessão do crédito.

Agora que já sabemos como funciona cada um e que não devemos interpretar empréstimo e financiamento como sendo a mesma coisa, apesar de ambos tratarem de concessão de crédito, fica mais fácil saber por qual optar a depender das necessidades encontradas.

Em uma situação que precisa ser resolvida a curto prazo cujo dinheiro será utilizado para quitação de dívidas, por exemplo, o empréstimo seria a melhor alternativa. Por ser um

crédito desassociado de bens e por ter seu uso livre, pode ser utilizado para os fins que forem necessários. Portanto, se adequa melhor a situações em que o dinheiro precisa ser utilizado de diferentes maneiras ou para pagamento de dívidas, correção de fluxo de caixa e capital de giro.

Já o financiamento parece ser mais viável para situações que envolvem compra de equipamento, imóveis ou veículos uma vez que o crédito ficará associado ao bem em questão, pois é este bem que concede a garantia, conhecido como alienação fiduciária ou colateral (garantia).

Desta forma, para decidir qual dos dois escolher é fundamental que se conheça as necessidades da pessoa ou empresa, só assim para compreender a fundo qual a melhor opção naquele momento e cenário específico. Lembrando sempre que uma boa gestão é essencial para a manutenção da saúde financeira de qualquer negócio.

Márcio Carvalho e Brito

Professor e sócio da Valor Futuro S.A.

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